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Foleo: visão de futuro ou fracasso a caminho?


Jeff Hawkins é responsável por dois enormes sucessos, sendo o inventor do Pilot 1000, o primeiro modelo da Palm, e depois do Treo. Os dois produtos praticamente criaram novas categorias de equipamentos, sendo sucessos de venda, e abrindo as portas para um novo mundo na computação móvel, e por isso mesmo ele é respeitado, e tem seu nome garantido na história da indústria da informática.

Em 2005, quando ele comentou sobre o desenvolvimento de um terceiro negócio na Palm, mas fez segredo sobre o que seria, obviamente criou uma enorme expectativa. Essa semana o suspense terminou, e nos foi apresentado o Foleo, o primeiro modelo de uma nova categoria denominada Mobile Companion.

O Foleo foi criado para ser um "acessório" dos smartphones, que estão cada dia menores, e se tornando uma poderosa ferramenta. O problema, segundo Hawkins, é que a tela e teclado não são adequados para uma experiência totalmente eficaz. O Foleo entra ai, pois possui uma tela de 10 polegadas e teclado de tamanho normal.

Inicialmente o Foleo foi criado para sincronizar e-mails com os smartphones, e permitir a edição dos mesmos de maneira mais fácil. Ele ainda é capaz de navegar na Internet, e editar arquivos do Office, utilizando uma versão específica do Documents To Go. Fotos também são suportadas.

O Foleo pode acessar a Internet diretamente, por Wi-Fi, ou usando a conexão do smartphone, por Bluetooth.

O público inicial para essa nova categoria de aparelhos são executivos, e principalmente os que viajam muito, e que precisam acessar e-mails e Internet, e que usem smartphone, ou seja, um nicho de mercado no momento. Por isso mesmo Hawkins já informou que espera vendas iniciais pequenas.

Ao mesmo tempo ele ainda comentou que acredita ser esse o maior negócio da Palm no futuro, e que este é o produto mais emocionante que ele já criou.

Mas a verdade é que da forma como foi apresentado, e com os recursos disponíveis hoje, o aparelho parece um notebook sem recursos. As comparações são inevitáveis, já que ele se parece com um notebook. Mas as semelhanças terminam ai. Ele foi criado para e-mail e navegação na Web, e basicamente para usuários de smartphones. Já um notebook consegue executar qualquer programa.

A questão que vem a tona é o motivo que levaria um usuário a querer carregar mais um aparelho com funções limitadas. Bastaria ter um Treo e um notebook, e você faria o que o Foleo promete, e milhões de coisas a mais. A Palm acha que os usuários vão comprar o Foleo por ele ser mais leve, ligar instantâneamente, e ser muito mais barato do que um aparelho de mesmo tamanho disponível no mercado.

Jeff Hawkins, em entrevistas, comentou que esse é apenas o começo de uma nova era, assim como foi com o primeiro Palm, que também era muito limitado em suas funções. O executivo preferiu se focar em resolver questões específicas, mas com o passar do tempo e diversos aplicativos criados, ele se tornará algo muito maior, acredita ele.

Até chegar a esse ponto, se chegar, não será uma tarefa fácil. A receptividade do Foleo foi péssima. Analistas de mercado, editores de site da área, e os usuários, em sua grande maioria, estão decepcionados, e céticos sobre o futuro do Foleo, para dizer o mínimo.

Para os fãs e usuários antigos da Palm, depois de tanta expectativa, ficou a sensação de completa decepção. Muitos aguardavam algo como uma evolução do LifeDrive, voltado para a Internet, um Treo com novo design, etc. Um aparelho que nem pode executar aplicativos do Palm, e ainda por cima grande, foi um golpe e tanto.

A situação piora quando se pensa que recursos valiosos estão sendo gastos no Foleo enquanto o Treo está parado no tempo, sem algo de novo desde o Treo 600. O smartphone ganhou novidades, mas muito abaixo das expectativas. Onde está um modelo sem teclado, e com tela maior? WiFi parece não combinar com os planos da Palm faz muito tempo. As atualizações do Treo 700p vem sendo adiadas seguidamente. O Palm Desktop sequer é compatível com o Vista.

E os fãs da Palm ainda precisam conviver com o fato do PDA ser uma categoria totalmente renegada dentro da empresa, e vendidos ainda apenas por apresentar lucro. O modelo mais recente foi o TX, lançado em 2005. Para nós, que aguardávamos alguma novidade nessa área, as esperanças são cada vez menores. Jeff Hawkins já informou que para eles os PDAs são uma categoria madura, que trocando em miúdos significa que não há mais o que ser feito. Pode ser que por um milagre outro PDA seja lançado pela Palm, mas infelizmente não há muitas esperanças, agora que o Foleo é o produto da vez.

Nos resta lamentar que os criadores do Palm não vejam, como nós usuários, as diversas possibilidades para melhorias, e que se os PDAs estão em baixa a culpa também é deles por não apresentar nada de novo, e que possa nos fazer mudar de aparelho. Sem novidades, claro, não há o que comprar.

Mas se existe algo de bom na apresentação do Foleo, é a esperança de termos um Treo sem teclado e com tela maior, quem sabe ao estilo flip. Jeff Hawkins comentou que agora eles poderão ter mais liberdade para criar produtos diferenciados, como se isso não fosse possível atualmente, como provam inúmeros concorrentes. De toda forma agora existe uma possibilidade bastante plausível para os fãs de PDA, como TX e LifeDrive, migrarem para um novo smartphone da Palm, sem perder as virtudes de seus antigos aparelhos.

A outra boa notícia se refere ao sistema Linux. Como ele serve de base para o Foleo, ele também servirá de base para novas versões de aparelhos, como os Treo, só que dessa vez tendo o Palm OS por cima. Ainda não há detalhes sobre essa versão do sistema, mas aparentemente será muito próxima da versão do Foleo, e provavelmente chegaremos assim a multitarefa, e um mundo de novos recursos hoje não suportados pelo já antigo Palm OS.

Os PDAs estão com os dias contados com certeza, mas o futuro para o Treo parece promissor. Já o Foleo ainda é um produto que traz apenas promessas. Cabe à Palm transformar promessas em realidade, convencendo executivos a utilizarem o produto, enquanto o mesmo vai ganhando novos aplicativos e, quem sabe, realmente venha a ser nosso aparelho preferido para um mundo cada vez mais on-line, com serviços da Web 2.0 se tornando o foco da computação e os smartphones onipresentes. A tarefa não é fácil, parece mesmo quase impossível, mas se conseguir, a Palm pode realmente ter criado uma nova categoria de aparelhos para uma nova era.

José Augusto Junqueira Neto
Deck1 - PalmBrasil

 

 

 

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