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Introdução Ao Vídeo


Pela porta do restaurante irrompe um casal. Ao lado de um rapaz esguio e elegante, entra uma bela moça com cabelos loiros e longos. Sua blusa cáqui molda-se casualmente a seu corpo, revelando sua silhueta curvilínea. Seu colo está à mostra, coberto unicamente por uma corrente de prata que não revela o pingente, escondido dentro da blusa.

Seus sapatos são pretos, de salto agulha e com tachinhas prateadas nas tiras, combinando com a pulseira de couro preto e o cinto largo jogado por cima da curtíssima microssaia jeans. A iluminação indireta amarela do restaurante parece tornar suas pernas grossas ainda mais bronzeadas. Sua tornozeleira se move displicentemente a cada passo.

Enquanto ela se dirige até a mesa, parece que consegue hipnotizar a todos no restaurante: os homens não conseguem desviar o olhar; as mulheres olham mais fixamente ainda. O resto do ambiente se torna translúcido e opaco, parecendo que naquele instante o universo se resume àquele caminhar.

O garçom puxa a cadeira e ela, ao sentar, restaura todo o universo à forma original que conhecemos.

Com a carta de vinhos nas mãos, escolhe um tinto de uma boa safra, perfeito para combinar com a picanha mal passada, sangrando.
Enquanto conversa com o rapaz, coloca sua mão direita dentro de sua bolsa e de lá tira um palm. Após alguns toques na tela, o aparelhinho começa a passar um vídeo.

Então, ela começa a explicar ao estudante de medicina que a acompanha as técnicas da cirurgia de coração que está no vídeo, cena a cena. Ela molha os pedaços de carne no sangue que se acumula em seu prato e os leva à boca para saboreá-los, logo após cada explicação sobre incisões, cateteres, serras, pontos e fios.

A cena acima poderia ser a mesma se ela fosse uma publicitária mostrando a um cliente alguns dos comerciais já realizados por sua agência. Ou uma atriz mostrando uma peça em que atuou. Ou um filme, na qual a peça de teatro que montarão se baseia. Poderia, ainda, ser um vídeo de feliz dia dos pais, gravado secretamente pela filha mais nova para ser mostrado na data especial.

O fato é que vídeos estão entre as atividades que mais exigem e impressionam em um palm. Servem para entreter, ensinar, emocionar, registrar um momento especial e até mesmo como um passatempo. Afinal de contas, quem não gostaria de carregar um show de sua banda predileta em seu PDA para assistir sempre que der vontade?

Entretanto, a imensa maioria dos vídeos não é feita para um dispositivo com uma tela tão pequena. A tendência é que filmadoras gerem vídeos em formato de tela cada vez maior: começando do formato de DVD e chegando até os formatos de HDTV. Com a qualidade de imagem e som cada vez melhores, o que se tem são arquivos cada vez maiores e mais pesados.

Portanto, uma solução de vídeo no palm obrigatoriamente deve possuir dois programas: um conversor e um player. O primeiro para adaptar o filme às especificações de mobilidade, reduzindo o som à qualidade mínima indispensável e as imagens ao menor formato de tela; o último para reproduzir este filme gerado (e bastante menor que o original) no palm.

Predominam no mercado, basicamente, 3 formatos de compactação de vídeo:

Mpeg-1: é o mais antigo. Compacta bastante, mas com baixa qualidade. É o formato padrão em VCD (CD de vídeo). Um VCD tem tamanho de tela 352x288 pontos e grava até 70 minutos de vídeo, com qualidade um pouco inferior ao VHS (videocassete).

Mpeg-2: compacto pouco, mas possui uma ótima qualidade. É o formato padrão de SVCD (CD de vídeo) e DVD. SVCD é um CD de vídeo com tamanho de tela 480x320 pontos e grava até 40 minutos de vídeo, enquanto que um DVD grava vídeos com tamanho de tela de até 720x560 pontos.

Mpeg-4: é o mais recente. Compacta bem mais que o Mpeg-1 com qualidade muito próxima ao Mpeg-2. Deste padrão, surgiram pequenas variações, muitas incompatíveis entre si até para efeito de patente. A mais conhecida é o DivX, que ganhou popularidade por ser um formato gratuito e aberto. Mas também há XviD, asf, wmv, 3ivx, mov, entre outros. Hoje em dia, praticamente todos os dispositivos que gravam vídeos possuem um formato baseado em Mpeg-4.

A Palm disponibiliza no CD do pacote de aplicativos que acompanha seus aparelhos o Kinoma em uma versão que não utiliza o Mpeg-4. Há o conversor e o player, sim, que dão uma idéia de como o processo funciona, mas não do resultado final que se pode alcançar.

As opções de vídeo para a plataforma palm são, em ordem alfabética:

Kinoma: o conversor é o Kinoma Producer 3 e o player é o Kinoma Player 3 EX, comercializados respectivamente por 30 e 20 dólares.

MMplayer: este é somente o player, para reproduzir filmes em formato DivX, Mpeg-1 e Mpeg-2. É comercializado por 15 dólares.
 

Como conversor para o MMplayer, pode-se utilizar quaisquer programas gratuitos como VirtualDub Mpeg-2, Pocket DivX Encoder, ou Flask Mpeg; há, ainda, a opção de conversores pagos como Dr. DivX. O Pocket DVD Studio, também pago, faz a conversão direta do DVD para um formato que pode ser reproduzido no MMplayer em poucos cliques de mouse.

Smart Movie: possui conversor e player de vídeos pagos.

TealMovie: infelizmente, apesar de custar 30 dólares, o TealMovie ainda não utiliza o formato Mpeg-4, o que o coloca atrás da concorrência.

Agora que as opções já foram listadas, que tal experimentar um gostinho de ver um vídeo em seu palm? Entre no site da Sony Pictures e assista trailers dos filmes mais recentes em seu PDA.

Fui.

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Por Adilson Carvalho (Advi)
advicarvalho@terra.com.br

 

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