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Entenda a fragmentação no Android e veja se realmente é um problema

O sistema Android é bem recente, e vem evoluindo muito rapidamente. Se por um lado isso tem levado a grandes avanços na plataforma, por outro gera o que muitos consideram um dos maiores problemas, a fragmentação.

A fragmentação ocorre uma vez que várias empresas lançam seus smartphones com Android e não os atualiza mais, ou atualiza com grande atraso, deixando a versão do Android desatualizada para seus clientes.

Deve-se notar que a atualização do Android depende exclusivamente dos fabricantes, que devem pegar a nova versão e efetuarem as modificações para que rodem em seus aparelhos.

Com várias customizações que são efetuadas por eles, em geral gerar uma nova versão possui um certo custo, e muitas empresas só atualizam modelos mais populares.

Isso é ruim para os desenvolvedores, e mesmo para os usuários. Para os usuários uma vez que deixam de usufruir das melhorias do sistema, e para os desenvolvedores porque precisam se preocupar em desenvolver para versões antigas do Android, e que podem não conter recursos importantes.

Um exemplo claro é o Android 2.3. Ele não mudou muito para os usuários, mas para um desenvolvedor que deseja criar jogos avançados, ele faz toda diferença, já que inúmeros recursos foram adicionados nessa área. E uma vez que um jogo tenha sido criado usando essas novas características, ele só poderá rodar na versão 2.3 ou mais recente.

Em razão disso muitos reclamam da grande diversidade de versões e da evolução rápida do sistema. A boa novidade é que os últimos dados de utilização do Android (do fim de março de 2011) indicam que mais de 90% dos aparelhos já usa o Android 2.1 ou mais recente, sendo que 61% já usam o Android 2.2. As versões 2.3 e 3.0 ainda são pouco utilizadas pois foram lançadas mais recentemente.

 

Android 1.5

3%

Android 1.6

4.8%

Android 2.1

29%

Android 2.2

61.3%

Android 2.3

0.7%

Android 2.3.3

1%

Android 3.0

0.2%

Isso já mostra que a fragmentação nas versões do Android tem diminuído, mas certamente nunca irá terminar, já que independe do Google, que já avisou que pretende continuar a lançar 2 grandes versões do Android por ano.

Mas a fragmentação não ocorre somente na versão do sistema. Temos ainda dois grandes pontos onde ela ocorre.

As interfaces, como TouchWiz, Motoblur e Sense, criadas pelos fabricantes para se diferenciar, é outro ponto onde acaba confundindo os usuários, já que cada aparelho com o Android pode exigir procedimentos diferentes para fazer uma mesma tarefa.

E finalmente o próprio hardware. Com processadores diferentes, telas com tecnologias e resoluções diversas, dentre outros recursos que variam conforme o aparelho, fica quase impossível padronizar o que se encontra a venda. Essa é inclusive uma das vantagens do Android, já que essa diversidade leva o usuário a possuir uma gama grande de aparelhos, que ele poderá comprar conforme suas necessidades e condições.

Se o Google não pretende diminuir o ritmo de lançamentos do Android, resta aos fabricantes encontrar uma forma de atualizar o sistema de seus aparelhos de uma maneira mais simples e rápida. Uma opção seria integrando suas interfaces de uma maneira mais sutil, sem modificar partes básicas do Android.

Aos usuários resta ficar atento, e comprar sempre aparelhos com versões mais atualizadas do Android, e de empresas que respeitam os clientes atualizando seus modelos.

Para os desenvolvedores a solução é criar aplicativos mais genéricos, quando possível, mas tendo sempre a consciência de que nunca teremos uma padronização de todo o sistema no Android.

Para aqueles que criticam o Android citando a fragmentação, é necessário ponderar que o Android não é o iOS, que roda em apenas dois aparelhos (iPhone / iPad), tendo muito mais opções para o usuário, assim como houve com o Windows Mobile. Pense mais no Android como um Windows do computador. Até hoje mais de 60% dos computadores ainda roda o Windows XP. Ao lançar o Vista muitos modelos não puderam ser atualizados para essa versão, e mesmo os que foram possuem recursos diferentes, como as placas de vídeo.

Como se pode ver, o Android não tem exclusividade nesse tipo de questão. A diferença é que ele evolui muito mais rapidamente, e gera uma ansiedade maior nos usuários, que dependem quase que exclusivamente dos fabricantes para suas atualizações.

O lado bom de toda essa diversidade é justamente a grande quantidade de opções que os usuários possuem na compra dos smartphones e tablets.